quinta-feira, 4 de junho de 2009

Catadores de recicláveis pedem socorro

As cooperativas de material reciclado pedem socorro. Querem um subsídio da Prefeitura para não continuar em atividade. A maioria dos catadores já abandonou os trabalhos para fazer bicos. Pelo menos é essa a situação na Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso) que já não descarta a possibilidade de precisar vender parte dos seus bens, com um dos seus caminhões, se a situação não melhorar. O motivo é a crise que começou a agravar a situação do setor de reciclagem em setembro. Entre os temas apresentados ontem na audiência pública sobre o meio ambiente promovida na Câmara, o problema das cooperativas foi o que mais mobilizou a platéia e chamou a atenção do presidente da Comissão Legislativa do Meio Ambiente, vereador Luís Santos (PMN).

A presidente do Centro de Estudos e Apoio ao Desenvolvimento, Emprego e Cidadania (Ceadec), Rita de Cássia Gonçalves Viana, disse que as 220 toneladas mensais coletadas no ano passado apenas pela Coreso, caiu para 80. Entre os cooperados, 85 dos 140 catadores afastaram-se das atividades para fazer qualquer outro tipo de bico pois o valor médio da retirada mensal que chegou a R$ 600 caiu para R$ 400. Não desistiram, nos procuram para saber se a situação melhorou, mas para ganhar menos que um salário mínimo estão buscam bicos para sobreviverem, disse Rita Viana. As empresas que compram os recicláveis das cooperativas, ainda segundo a presidente do Ceadec, tem pago depois de 35 dias que recebem o material. Qual trabalhador consegue esperar o tempo da coleta, triagem e mais 35 dias após a entrega?, questiona.
.
Para a população, além dos prejuízos ambientais e da redução da vida útil do aterro sanitário, sobra o descontentamento de separar o material e não ter como dar destino. A coleta da Coreso que era semanal, ocorre a cada 15 dias, ou em até mais tempo. Rita Viana diz que alguns materiais não têm mais saída, como o papel misto. O papel misto é utilizado em embalagens de sabonetes, cremes dentais, de ovo, gelatina, etc. Reconheceu que, depois de coletar e fazer a triagem deste material, já precisou descartar no lixo, pois não havia quem o comprasse. Hoje os catadores evitam recolhe-lo.

Proposta
.
A solução almejada pela Ceadec é que a Prefeitura pague às cooperativas de coleta o que deixa de gastar com a empresa que recolhe o lixo na cidade. Essa proposta já está em trâmite na Câmara por meio de um projeto de autoria do vereador Izídio de Brito (PT). Ele prevê a coleta de lixo solidária que paga por quilo às cooperativas o mesmo que hoje é destinado para as empresas que recolhem lixo. Não vamos onerar a Prefeitura porque a cooperativa vai coletar o que hoje é levado para o aterro pelas empresas que recolhem o lixo, enfatizou o vereador.
.
O representante da Secretaria de Parcerias da Prefeitura presente na audiência público, Fernando de Oliveira, convidou a todos a saberem como o município já colabora com a coleta e disse que a Prefeitura discute o rumo da coleta seletiva, citando que o problema tem sido a redução dos preços dos materiais. Quanto ao subsídio, afirmou que antes é preciso da união das cooperativas que têm faltado às reuniões. Ele (Fernando de Oliveira) é novo, precisa conhecer a realidade, criticou a presidente do Ceadec, Rita Viana.

Notícias CNM/CUT